Sábado, 2 de Julho de 2011

VERDADEIRA DEVOÇÃO A MARIA - I

TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM

por São Luís Maria Grignion de Montfort
1. Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por ela que deve reinar no mundo.
2. Toda a sua vida Maria permaneceu oculta; por isso o Espírito Santo e a Igreja a chamam Alma Mater – Mãe escondida e secreta[1]. Tão profunda era a sua humildade, que, para ela, o atractivo mais poderoso, mais constante era esconder-se de si mesma e de toda criatura, para ser conhecida somente de Deus.
3. Para atender aos pedidos que ela lhe fez de escondê-la, empobrecê-la e humilhá-la, Deus providenciou para que oculta ela permanecesse em seu nascimento, em sua vida, em seus mistérios, em sua ressurreição e assunção, passando despercebida aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios parentes não a conheciam; e os anjos perguntavam muitas vezes uns aos outros: Quae est ista?... – Quem é esta? (Ct 3, 6; 8, 5) pois que o Altíssimo lha escondia; ou, se algo lhes desvendava a respeito, muito mais, infinitamente, lhes ocultava.
4. Deus Pai consentiu que jamais em sua vida ela fizesse algum milagre, pelo menos um milagre visível e retumbante, conquanto lhe tivesse outorgado o poder de fazê-los. Deus Filho consentiu que ela não falasse, se bem lhe houvesse comunicado a sabedoria divina.
Deus Espírito Santo consentiu que os apóstolos e evangelistas a ela mal se referissem, e apenas no que fosse necessário para manifestar Jesus Cristo. E, no entanto, ela era a Esposa do Espírito Santo.
5. Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, a quem aprouve humilhá-la e ocultá-la durante a vida para lhe favorecer a humildade, tratando-a de mulher – mulier (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estrangeira, conquanto em seu Coração a estimasse e amasse mais que todos os anjos e homens. Maria é a fonte selada (Ct 4, 12) e a esposa fiel do Espírito Santo, onde só ele pode penetrar. Maria é o santuário, o repouso da Santíssima Trindade, em que Deus está mais magnífica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem exceptuar seu trono sobre os querubins e serafins; e criatura alguma, pura que seja, pode aí penetrar sem um grande privilégio.
6. Digo com os santos: Maria Santíssima é o paraíso terrestre do novo Adão, no qual este se encarnou por obra do Espírito Santo, para aí operar maravilhas incompreensíveis. É o grande, o divino mundo de Deus4, onde há belezas e tesouros inefáveis. É a magnificência de Deus5, em que ele escondeu, como em seu seio, seu Filho único, e nele tudo que há de mais excelente e mais precioso. Oh! que grandes coisas e escondidas Deus todo-poderoso realizou nesta criatura admirável, di-lo ela mesma, como obrigada, apesar de sua humildade profunda: Fecit mihi magna qui potens est (Lc 1, 49). O mundo desconhece essas coisas porque é inapto e indigno.
7. Os santos disseram coisas admiráveis desta cidade santa de Deus; e nunca foram tão eloqüentes nem mais felizes, – eles o confessam – que ao tomá-la como tema de suas palavras e de seus escritos. E, depois, proclamam que é impossível perceber a altura dos seus méritos, que ela elevou até ao trono da Divindade; que a largura de sua caridade, mais extensa que a terra, não se pode medir; que está além de toda compreensão a grandeza do poder que ela exerce sobre o próprio Deus; e, enfim, que a profundeza de sua humildade e de todas as suas virtudes e graças são um abismo impossível de sondar. Ó altura incompreensível! Ó largura inefável! Ó grandeza incomensurável! Ó insondável!
8. Todos os dias, dum extremo da terra ao outro, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo prega, tudo exalta a incomparável Maria. Os nove coros de anjos, os homens de todas as idades, condições e religiões, os bons e os maus. Os próprios demônios são obrigados, de bom ou mau grado, pela força da verdade, a proclamá-la bem-aventurada.
Vibra nos céus, como diz São Boaventura, o clamor incessante dos anjos: Sancta, sancta, sancta Maria, Dei Genitrix et Virgo; e milhões e milhões de vezes, todos os dias, eles lhe dirigem a saudação angélica: Ave, Maria..., prosternando-se diante dela e pedindo-lhe a graça de honrá-la com suas ordens. E a todos se avantaja o príncipe da corte celeste, São Miguel, que é o mais zeloso em render-lhe e procurar toda a sorte de homenagens, sempre atento, para ter a honra de, à sua palavra, prestar um serviço a algum dos seus servidores.
9. Toda a terra está cheia de sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam como padroeira e protectora em muitos países, províncias, dioceses e cidades. Inúmeras catedrais são consagradas sob a invocação do seu nome. Igreja alguma se encontra sem um altar em sua honra; não há região ou país que não possua alguma de suas imagens milagrosas, junto das quais todos os males são curados e se obtêm todos os bens. Quantas confrarias e congregações erigidas em sua honra! quantos institutos e ordens religiosas abrigados sob seu nome e protecção! quantos irmãos e irmãs de todas as confrarias , e quantos religiosos e religiosas a entoar os seus louvores, a anunciar as suas maravilhas! Não há criancinha que, balbuciando a Ave-Maria, não a louve; mesmo os pecadores, os mais empedernidos, conservam sempre uma centelha de confiança em Maria. Dos próprios demónios no inferno, não há um que não a respeite, embora temendo.
10. Depois disto é preciso dizer, em verdade, com os santos:
De Maria nunquam satis... Ainda não se louvou, exaltou, amou e serviu suficientemente a Maria, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço ela merece.
11. É preciso dizer, ainda, com o Espírito Santo: Omnis gloria eius filiae Regis ab intus – Toda a glória da Filha do Rei está no interior (Sl 44, 14), como se toda a glória exterior, que lhe dão, a porfia, o céu e a terra, nada fosse em comparação daquela que ela recebe no interior, da parte do Criador, e que desconhecem as fracas criaturas, incapazes de penetrar o segredo dos segredos do Rei.
12. Devemos, portanto, exclamar com o apóstolo: Nec oculus vidit, nec auris audivit, nec in cor hominis ascendit (1Cor 2, 9) – os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça6, da natureza e da glória. Se quiserdes compreender a Mãe – diz um santo – compreendei o Filho. Ela é uma digna Mãe de Deus: Hic taceat omnis lingua – Toda língua aqui emudeça.
13. Meu coração ditou tudo o que acabo de escrever com especial alegria, para demonstrar que Maria Santíssima tem sido, até aqui, desconhecida[2], e que é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser. Quando, portanto, e é certo, o conhecimento e o reino de Jesus Cristo tomarem o mundo, será uma consequência necessária do conhecimento e do reino da Santíssima Virgem Maria. Ela o deu ao mundo a primeira vez, e também, da segunda, o fará resplandecer.


[1] Antífona à Santíssima Virgem para o tempo de Natal; hino “Ave Maris Stella”.
[2] No sentido de: conhecida insuficientemente, como se depreende de todo este parágrafo e da expressão: “Jesus Cristo não é conhecido como deve ser”.

Segunda-feira, 28 de Março de 2011

AS GLÓRIAS DE MARIA

Maria socorre o Seus devotos que se encontram no Purgatório.

Os devotos da piedosissima Mãe são muito felizes, porque não somente Ela os ajuda quando estão em vida, mas são assistidos e consolados pela Sua proteção também no Purgatório. Naquele lugar as almas não podem ajudar-se sozinhas e precisam ainda mais de alívio, porque são mais tormentadas, por isto a Mãe de Misericórdia se empenha muito mais a socorrer-las de quando estavam na terra.

A Mãe Divina disse a Santa Brigida: eu sou a Mãe de todas as almas que se encontram no Purgatório e intervenho continuamente com as minhas orações para diminuir as penas que merecem pelas culpas cometidas durante a vida delas. As vezes a piedosa Mãe nem nega de entrar naquela santa prisão para visitar e consolar as Suas filhas aflitas. Nos Provérbios está escrito: "Passei nas profundidades dos abissos". São Boaventura atribui este pensamento a Maria e explica: "Eu penetrei no fundo daquele abisso, isto é, o Purgatório, para aliviar com a Minha presença, aquelas almas santas". Diz São Vincente Ferreri: "A Madona é tão cortez e boa com quem sofre no Purgatório e intervém continuamente doando a elas conforto e alivio!".

Um dia, Santa Brigida ouviu Jesus dizer à Mãe: "Tu és Minha Mãe, és a Mãe da Misericórdia, és a consolação daqueles que se encontram no Purgatório". A Beata Virgem disse a Santa Brigida que como um pobre doente, abandonado e aflito, com algumas palavras de conforto se sentem reviver, assim as almas se consolam também somente em ouvir o nome da Madona.

Maria não somente consola e ajuda os seus devotos do Purgatório mas com a Sua intercessão obtém a liberdade para eles. Escreveu Gersone e o conferma o Novarino dizendo de ter lido nas obras dos Autores importantes que Maria no momento da Sua gloriosa Assunção pediu ao Filho a graça de poder conduzir com Si todas as almas que naquele momento se encontravam no Purgatório. São Benardino de Siena confirma com absoluta certeza que a Beata Virgem tem a faculdade, através da oração e aplicando também os Seus méritos, de liberar as almas do Purgatório e particularmente os Seus devotos.

Refere São Pier Damiani que uma mulher de nome Marzia, morta jà da algum tempo, apareceu a uma sua amiga e lhe disse que o dia da Assunção de Maria tinha sido liberada do Purgatório da Rainha do Céu junto a tantas outras almas. O mesmo conferma São Dionisio Cartusiano pela festividade do Nascimento e da Ressurreição de Jesus Cristo. O Santo afirma que em tais dias Maria desce no Purgatório acompanhada da fila de Anjos e libera muitas almas daquelas penas. O Novarino pensa que isto aconteça em qualquer festa solene da Santa Virgem.

È conhecida a promessa de Maria ao Papa Joao XXII. Em uma aparição lhe ordenou de fazer conhecer a todos que aqueles que tivessem levado o sagrado escapolário do Carmem, teriam sidos liberados do Purgatório o sabado depois da morte deles. Refere padre Crasset que o Pontefice o declarou e depois foi confirmado por Alessandro V, por Clemente VII, Pio V, Gregorio XIII e Paolo V.

A Beata Virgem encarregou frei Abbondo de levar uma messagem da Sua parte ao Beato Godifredo: "Diga a frei Godifredo que progrida nas virtudes, assim pertencerá ao Meu Filho e a Mim. Quando a sua alma deixará o corpo, não permeterei que vai em Purgatório, mas a pegarei e a ofrirei a Jesus". Se desejamos ajudar as almas santas do Purgatório, oremos sempre a Santa Virgem por elas e em particular com o Santo Rosário que lhes propicia um grande alivio.

Quinta-feira, 25 de Março de 2010

UM MINUTO COM A BEATA ALEXANDRINA

Em que consiste?


A partir do 1º de Abril, em França, na Bélgica e na Holanda vários conventos que praticam a adoração eucarística, vão fazer um minuto suplementar de adoração, minuto durante ao qual vão unir-se espiritualmente às intenções da Beata Alexandrina ― guardiã dos Tabernáculos abandonados. Mas este minuto suplementar de adoração não será limitado aos monges e às freiras, visto que um grande número de leigos vai também participar e, por intermédio dos blogues e dos Sítios Internet que informarão regulamente sobre desta devoção particular, todos serão informados, de maneira que esta acção vá “até aos confins do mundo”

Este minuto suplementar, multiplicado por milhares de pessoas, poderá depois contabilizar-se em milhares de horas suplementares de adoração, o que naturalmente fará grande prazer à nossa querida Alexandrina.

Durante o mês de Julho ou Agosto — a data ainda não foi definitivamente fixada — vamos instalar em Paray le Monial (França), cidade onde Jesus apareceu a Santa Margarida Maria, um stand dedicado à Beata Alexandrina de Balasar. O nosso objectivo é de explicar os milhares de pessoas que ali se vão reunir quem foi a Alexandrina e qual foi a sua primeira missão.

Vamos igualmente distribuir uma carta — tipo carta bancária — contendo de um dos lados a imagem da Alexandrina e do outro lado uma pequena oração sobre um fundo eucarístico.

SITES :

http://alexdiffusion.free.fr/
http://alexandrina.balasar.free.fr/
http://alexandrinabalasar.free.fr/
http://nouvl.evangelisation.free.fr/
http://voiemystique.free.fr/
http://lieudepriere.free.fr/

BLOGS :

http://alexandrina-de-balasar.blogspot.com/
http://alex-balasar.blogspot.com/
http://mistica-e-misticos.blogspot.com/
http://nouvelle-evangelisation.blogspot.com/
http://voie-mystique.blogspot.com/
http://a-jesus-par-marie.blogspot.com/
http://a-jesus-por-maria.blogspot.com/

Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

MARIE TEMPLO DE DEUS

Maria é o Templo de Deus, é a porta do céu.

Antes de Maria e José passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela acção do Espírito Santo (Mt 1, 18). José se espanta, e a desconfiança em rela-ção à esposa o aflige. Que fazer? Teme entregá-la com medo que a matem. Pensa em repudiá-la, o que seria mais fácil, e não a exporia aos mesmos peri-gos. Bastaria dar-lhe, conforme a Lei, uma carta de repúdio.

Mas depois que lhe veio esse pensamento, apareceu-lhe em sonho um anjo do Senhor, que lhe disse: “José, Filho de David, não tenhas receio de receber Ma-ria, tua esposa” (Mt 1, 20). Depois que lhe veio esse pensamento, nos é dito. Como estivesse angustiado e não soubesse ainda o que fazer, eis que lhe apare-ce em sonho o Anjo do Senhor, o mensageiro do céu. Em sonho: não se poderia dizer de melhor modo. Com efeito, se José não tivesse adormecido, se tivesse continuado presente a si mesmo, se houvesse mantido abertos os olhos do seu espírito e do seu coração, e se tivesse reconhecido na revelação do Espírito Santo o sol que já se levantava em Maria, então, lhe teria sido impossível agi-tar-se em tais pensamentos.

Mas, escutemos o que diz o anjo: José, filho de David, não tenhas receio de re-ceber Maria, tua esposa. Não tenhas medo, não duvides, lança fora o ciúme, repele a suspeita. A verdade é muito diferente desses pensamentos que se agi-tam. Esta jovem, não a conheces ainda. Maria, tua esposa, ainda não soubeste vê-la! Esta jovem é o Templo de Deus, é a porta do céu; tu a julgas tua esposa, mas deves, no entanto, servi-la.

Acolhe-a, pois, agora para te colocares à sua disposição. Ela foi-te confiada e não entregue: sê para ela, em vez de marido que ordena, o servidor que obede-ce. Por que isto? Porque o que nela foi gerado vem do Espírito Santo (Mt 1, 20). Basta que ouças, basta que creias.

S. Bruno de Segni, bispo
Comentário sobre o Evangelho de S. Mateus
Commentarium in Matthæum, Pars I, cap. II (Patrologia Latina 165, 74 ss).

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

NUNO DE SANTA MARIA

O Santo Condestável

Desde há quanto tempo o povo português se habituou a chamar Nuno Álvares Pereira “Santo Condestável”?
O que até aqui não era “verdade”, porque ele apenas fora beatificado, vai tornar-se, no próximo dia 26 de Abril uma “verdade” infalível, porque o Santo Padre Bento XVI vai nesse dia elevá-lo ao grau superior da “hierarquia celeste”, vai canonizá-lo em Roma, na Praça de São Pedro, durante a cerimónia solene que ali vai ser celebrada.

É com grande emoção que o povo Lusitano vai acolher este novo Santo e celebrá-lo ainda mais do que nunca e prestar-lhe a homenagem que esta canonização implica.

Frei Nuno de Santa Maria, o frade que não fez esquecer o heroi da Pátria lusitana, terá, a partir do domingo 26 de Abril, um “poder” ainda maior sobre o Coração de Deus e uma “união” ainda mais forte com Aquele que ele sempre amou ao ponto de querer usar seu nome: Santa Maria.

Recorramos pois com fé, ainda com mais frequência, se possível, à intercessão de Frei Nuno de Santa Maria, o novo “Santo” de Portugal, a fim que possamos, como ele mesmo, ganhar as nossas batalhas de cada dia, visto que cada um deles é para nós uma Aljubarrota.

Afonso Rocha

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

A MINHA RAINHA !

O Céu, o Céu, como ele é lindo, como ele é belo!...

Nesta manhã, ainda antes de comungar, senti-me a caminho do Calvário. A Sagrada Comunhão foi o lenitivo, foi o bálsamo para a minha dor, foi a força para tão dolorosa viagem. Sempre acompanhada da inutilidade, fugitiva dos caminhos de Jesus, era uma das minhas vidas, a minha vida terrena. A outra, que era a vida de Jesus, levava a cruz e a ela ia ligada com prisões de amor. Eram transportes de grande elevação; eram prisões, era amor que não caminhava, mas parecia voar até ao cimo da montanha. Lá, na minha inutilidade, fui crucificada com Jesus. Durante a agonia, enquanto o coração e a alma bradavam, o espírito ia recordando o que se passava no Céu: o grande dia da Assunção da Mãezinha. Pedi-Lhe que em memória da Sua coroação no Céu me coroasse com o Seu amor, com todas as suas graças e fizesse Suas as minhas preces, que as entregasse todas junto do trono divino. Em todo o tempo, em que Jesus agonizava, eu andava ao longe, muito ao longe, com a minha inutilidade, enquanto que o coração crucificado na cruz com Jesus abria-se num vulcão de fogo, dum fogo que era só amor, amor infinito, amor divino. Este amor estava no meu coração, mas não era a mim que ele pertencia, era o amor de Jesus. Era Ele que amava, era Ele que se imolava e dava a vida. Ele fez a entrega ao Pai do Seu espírito. Eu também senti como que se perdesse a vida por algum tempo. Aqueci com o Seu calor, vivi com a Sua vida ao ouvir a Sua voz :
— Minha filha, minha filha, Jesus está no Céu, Jesus está no teu coração. Jesus habita neste tabernáculo de amor, como no Céu, junto do seu Eterno Pai. Estou aqui, estou aqui, filha querida. Hoje sou todo amor, hoje sou todo doçura. Quero confortar-te desta forma, quero preparar-te para com mais fortaleza e heróico heroísmo suportares muita dor, toda a dor que ao Céu aprouver dar-te. Quero tornar-te forte, fazendo-te sentir as alegrias jubilosas do grande dia do Paraíso. Todo o Céu está em festa e em festa está o teu coração. Tens em ti o Céu, em ti está Deus, em toda a Sua plenitude.
— Ó Jesus, ó Jesus, como eu sou grande, como é grande o meu coração. É verdade, Jesus, que eu sinto que sou o Céu, sinto até que tenho em mim o azul claro do firmamento. Vale a pena, Jesus, vale a pena sofrer uma vida inteira para gozar estes deliciosos momentos. O Céu, o Céu, Jesus, como ele é belo ! Oh ! Como os olhos da minha alma vêem o que lá se passa.
A Mãezinha subiu, subiu, foi levada pelos Anjos e por eles colocada junto do trono da Santíssima Trindade. Outros Anjos conduziram a coroa, e a Trindade Divina A coroou.
A minha Rainha, a minha Rainha, a minha Mãezinha, a minha Mãezinha, a minha querida Mãezinha ! Todo o Céu é festa, todo o Céu é amor, todo o Céu é só um hino! O Céu, o Céu, como ele é lindo, como ele é belo! Como eu estou unida a tudo isto !
— Ó Jesus, parece que estou junto do trono da Santíssima Trindade e do da querida Mãezinha. Sinto até que estou nos Seus braços a receber as Suas carícias. O Céu, o Céu, felizes momentos do Céu !
Ó Mãezinha, ó Mãezinha, é nos Vossos braços que eu imploro, é mergulhada no Vosso amor e no amor da Santíssima Trindade que eu peço, que eu imploro com toda a alma, com todo o coração. Estou num universo infinito de paz e de amor ; é daqui que eu brado, é daqui que eu imploro.
Ó Jesus, ó Mãezinha, ó Pai, ó Espírito Santo, atendei, atendei às minhas súplicas, atendei às minhas preces. Não as digo, Jesus, não as digo, Mãezinha, não as digo, minha Trindade adorável, mas mostro-Vos o meu coração. Estão lá todas bem presentes. Atendei, Jesus. Por aquele amor que Vos levou a levar a Mãezinha ao Céu em corpo e alma. Atendei, atendei, pelo amor com que Vos amais nesta união divina e bendita.
— Sim, minha filha, sim, minha filha, o Céu leu no teu coração, o Céu atende os teus desejos, os teus pedidos, as tuas ânsias. Recebe a gota do meu Divino Coração. Sê forte na dor, sê forte na cruz. Sofre, sofre; a dor é a salvação, a dor é o resgate das almas. Coragem, coragem ; foi tudo amor ; foi tudo doçura. Mas não deixes, não cesses de pedir : penitência, oração, emenda de vida. Coragem, coragem, vai em paz e dá ao mundo a minha paz.
— Obrigada, Jesus, obrigada, Mãezinha. Obrigada, minha Trindade Divina, pelos momentos deliciosos, pelo grande amor, pelo grande conforto que deste à minha alma.


Alexandrina de Balasar
Diário de 15 de Agosto de 1952

Domingo, 22 de Março de 2009

A DEVOÇÃO DOS PRIMEIROS SÁBADOS

Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados

I – A DEVOÇÃO DOS PRIMEIROS SÁBADOS

Na Aparição do dia 13 de Julho anunciou Nossa Senhora em Fátima: “Para impedir a guerra virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados”.
Esta última devoção veio pedi-la, aparecendo à Irmã Lúcia a 10-12-1925, em Pontevedra, Espanha. Disse então: “Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfémias e ingratidões. Tu, ao menos, procura consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar”.Nª Senhora mostrou o seu Coração rodeado de espinhos, que significam os nossos pecados. Pediu que fizéssemos actos de desagravo para Lhos tirar, com a devoção reparadora dos cinco Primeiros Sábados. Em recompensa, promete-nos "todas as graças necessárias para a salvação”.
Jesus nos dois anos seguintes, 15 de Fevereiro de 1926 e 17 de Dezembro de 1927, insiste para que se propague esta devoção. Lúcia escreveu: “Da prática da devoção dos Primeiros Sábados, unida à consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra ou a paz do mundo”.

II – CINCO, POR QUÊ?

São cinco os Primeiros Sábados por, segundo revelou Jesus, serem “cinco as espécies de ofensas e blasfémias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria.
1. – As blasfémias contra a Imaculada Conceição, 2. – Contra a sua Virgindade ; 3. – Contra a Maternidade Divina, recusando ao mesmo tempo recebê-la como Mãe dos homens ; 4. – Os que procuram infundir nos corações das crianças a indiferença, o desprezo e até o ódio contra esta Imaculada Mãe ; 5. – Os que A ultrajem directamente nas suas sagradas imagens”

III – CONDIÇÕES

As condições para ganhar o privilégio dos Primeiros Sábados são quatro:
1. Confissão. Para cada Primeiro Sábado é precisa uma confissão com intenção reparadora. Pode fazer-se em qualquer dia, antes ou depois do Primeiro Sábado, contanto que se receba a Comunhão em estado de graça.
A vidente perguntou: – “Meu Jesus, as (pessoas) que se esquecerem de formar essa intenção (reparadora)? Jesus respondeu – Podem formá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar”.
As outras três condições devem cumprir-se no próprio Primeiro Sábado, a não ser que algum sacerdote, por justos motivos, conceda que se possam fazer no domingo a seguir.
2. A Comunhão Reparadora.
3. O Terço.
4. A meditação, durante 15 minutos, de um só mistério, de vários ou de todos. Também vale uma meditação ou explicação de 3 minutos antes de cada um dos 5 mistérios do terço que se está a rezar.
Em todas estas quatro práticas deve-se ter a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.
A devoção dos 5 Primeiros Sábados foi aprovada pelo Bispo de Leiria a 13-9-1939, em Fátima.

ACTO DE CONSAGRAÇÃO E DESAGRAVO

Virgem Santíssima e Mãe nossa querida, ao mostrardes o vosso Coração cercado de espinhos, símbolo das blasfémias e ingratidões com que os homens ingratos pagam as finezas do vosso amor, pedistes que Vos consolássemos e desagravássemos.
Ao ouvir as vossas amargas queixas, desejamos desagravar o vosso doloroso e Imaculado Coração que a maldade dos homens fere com os duros espinhos dos seus pecados.
Dum modo especial Vos queremos desagravar das injúrias sacrilegamente proferidas contra a vossa Conceição Imaculada e Santa Virgindade. Muitos, Senhora, negam que sejais Mãe de Deus e nem Vos querem aceitar como terna Mãe dos homens. Outros, não Vos podendo ultrajar directamente, descarregam nas vossas sagradas imagens a sua cólera satânica. Nem faltam também aqueles que procuram infundir nos corações das crianças inocentes, indiferença, desprezo e até ódio contra Vós.
Virgem Santíssima, aqui prostrados aos vossos pés, nós Vos mostramos a pena que sentimos por todas estas ofensas e prometemos reparar com os nossos sacrifícios, comunhões e orações tantas ofensas destes vossos filhos ingratos.
Reconhecendo que também nós, nem sempre correspondemos às vossas predilecções, nem Vos honrámos e amámos como Mãe, suplicamos para os nossos pecados misericordioso perdão.
Para todos quantos são vossos filhos e particularmente para nós, que nos consagramos inteiramente ao vosso Coração Imaculado, seja-nos ele o refúgio durante a vida e o caminho que nos conduza até Deus. Assim seja.

CINCO, PORQUÊ?

O Padre José Bernardo Gonçalves (1894-1966) propôs em Maio de 1930 à Irmã Lúcia, de quem foi confessor, seis perguntas para as quais pedia esclarecimento.
Eis o que se refere à quarta, com a respectiva resposta dada por escrito:
« Porque hão-de ser ‘5 sábados’ e não 9 ou 7 em honra das dores de Nossa Senhora ?
Ficando na capela com Nosso Senhor parte da noite do dia 29 para 30 deste mês de Maio de 1930, e falando a Nosso Senhor das duas perguntas 4.ª e 5.ª, senti-me de repente possuída intimamente da divina presença; e, se não me engano, foi-me revelado o seguinte :
‘Minha filha, o motivo é simples: são 5 as espécies de ofensas e blasfémias contra o Imaculado Coração de Maria:
1.ª – As blasfémias contra a Imaculada Conceição.
2.ª – Contra a Sua virgindade.
3.ª – Contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;
4.ª – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe ;
5.ª – Os que A ultrajam directamente nas suas sagradas Imagens.
Eis, Minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena reparação; e, em atenção a ela, mover a minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de A ofender».
Primeira ofensa: negação da Imaculada Conceição.
A 8 de Dezembro de 1854, definiu o Papa Pio IX : « Declaramos, pronunciamos e definimos, que a doutrina que sustenta que a bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, foi por graça e privilégio singular de Deus Todo-Poderoso... preservada e imune de toda a mancha do pecado original, foi revelada por Deus e como tal deve ser firme e constantemente acreditada por todos os fiéis ».
Recusam este privilégio várias confissões protestantes, os racionalistas, e implicitamente aqueles que negam o pecado original, pois que a Imaculada Conceição é precisamente a isenção dessa mancha, que em tal hipótese não existiria.
Segunda ofensa: negação da Virgindade perpétua de Maria.
A 6 de Novembro de 1982 disse João Paulo II no Santuário do Pilar em Saragoça, Espanha : « De modo virginal ‘sem intervenção de varão, e por obra do Espírito Santo, Maria deu a natureza humana ao Filho Eterno do Pai. De modo virginal nasceu de Maria um corpo santo. É a fé que...o Papa Paulo IV articulava na forma ternária de Virgem ‘antes do parto, no parto e perpetuamente depois do parto’. É a mesma que ensina Paulo VI: ‘Cremos que Maria é Mãe sempre Virgem do Verbo encarnado ».
Opõem-se a esta verdade os que negam que a Conceição e o parto de Jesus não foram virginais, e que Maria não conservou no parto a sua integridade, assim como aqueles que afirmam que Ela teve mais filhos além de Jesus.
Terceira ofensa: negação da maternidade divina e espiritual de Maria.
Declarou o III Concílio de Constantinopla no ano de 680 : « Nosso Senhor Jesus Cristo – nasceu do Espírito Santo e de Maria Virgem, que é, segundo a humanidade, própria e verdadeiramente Mãe de Deus».
É também Mãe espiritual dos homens, pela sua participação no Mistério da Encarnação e Co-redenção.
Quarta ofensa: ódio para com a Imaculada Mãe de Deus.
A ideologia Marxista-comunista procurou eliminar todos os vestígios de religião, a começar pelas crianças. O Ministério da Educação soviética declarou nesses tempos : « A educação comunista tem como fim principal eliminar todos os vestígios da religião ». Ensinava-se às crianças o racionalismo puro e, além disso, em certa nação, os pequeninos aprendiam « ladaínhas » de injúrias contra a Mãe de Deus.
Quinta ofensa: ultrajes às sagradas imagens.
Chegou-se ao descaramento de destruir e ultrajar as imagens de Nossa Senhora, sobretudo quando expostas em público. Certamente também desgostam a Maria Santíssima aqueles que tiram dos templos as suas imagens ou as reduzem ao mínimo, contrariando o Concílio Vaticano II. « Observem religiosamente aquelas coisas que nos tempos passados foram decretadas acerca do culto das imagens de Cristo, da Bem-aventura Virgem e dos Santos ».
São estas cinco ofensas a Maria que devemos reparar nos cinco primeiros sábados.

Textos P. Fernando Leite, sj