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domingo, 25 de janeiro de 2009

MARIA SANTÍSSIMA NOS PRIMÓRDIOS DO CRISTIANISMO

Maria nos Evangelhos

É nos Actos dos Apóstolos que encontramos a última menção de Maria Santíssima na Sagrada Escritura, quando reunida se achava com os apóstolos e outras piedosas mulheres no Cenáculo: “Todos estes perseveravam unânimes na oração, juntamente com as mulheres e Maria, Mãe de Jesus, e com seus irmãos” (Actos I, 14).
Depois, nada mais se encontra que se refira directamente a Maria. Na Igreja nascente, a vida de Maria se confundia com as próprias obras de Jesus, e certamente, de modo muito íntimo, Maria participou em todas as actividades dos apóstolos, tomando parte em suas reuniões e confortando-os com sua presença. E Nosso Senhor conservou ainda sua Mãe Divina na terra por algum tempo, para que ela fosse a força e o conforto da Igreja nascente.
Assim, foi a vida de Maria, círculo luminoso de irradiação que se desenvolveu sempre. Mãe de Jesus, o Filho do carpinteiro, acompanhou-O em sua infância e adolescência, comprazendo-se do convívio de seu amado Jesus. Mãe do Messias, nos dias da sua vida pública, seus olhos O seguiam nas suas caminhadas, entre a incredulidade de muitos e a fé de outros, até que ao pé da Cruz se tornou a Mãe do Redentor.
Ei-la, agora, como centro espiritual da Igreja fundada por seu Divino Jesus, que a confiou à sua materna protecção, pelas palavras d a Cruz: “Mulher, eis aí teu filho”.
À Igreja nascente dava ela a sua vida consagrada a Jesus e à sua obra, o interesse pelas actividades e sofrimentos dos apóstolos por amor de Jesus, e sobretudo as suas orações elevadas a Deus a cada instante.
Estava sempre ao lado dos apóstolos e dos fiéis, em suas reuniões, na comum fracção do pão e na oração. “E perseveravam na doutrina dos Apóstolos e na comum fracção do pão e nas orações” (Actos II, 42).
E que alegria para os apóstolos, consolo em suas lutas, a companhia de Maria, entusiasmando-os na missão que Jesus lhes confiara.
Da Mãe carinhosa recebera a Igreja os primeiros cuidados. Foi ela quem a embalou no seu berço glorioso de seus primeiros tempos. Maria ainda vivera algum tempo, amparada por especial auxílio divino, pois a separação do Filho minava-lhe as forças e a intensidade das suas dores nela reflectia com singular violência.
Por amor de Jesus, suportara em seu coração as maiores dores possíveis a uma criatura e os sofrimentos se renovaram ao ver as perseguições movidas contra os apóstolos, os fiéis e a Igreja.
O amor que Maria consagrava a seu Filho a inflamava na ânsia de O ver, e suspirava por encontrar-se com ele no céu. Mãe e Filho deviam unir-se na glória, do mesmo modo que nos sofrimentos, como verdadeiros membros da humanidade. A morte de Maria não foi consequência do pecado, como nas demais criaturas, pois jamais existiu em sua alma a menor mancha da culpa. Foi antes o seu desejo ardente de ser em tudo conforme a seu Jesus. Foi, na afirmação piedosa, um doce sono. Maria fechou seus olhos na terra, para os abrir no céu, no encontro com o seu Divino Jesus.
Do alto do céu, após a sua Assunção gloriosa, Maria mergulha o seu olhar no mistério do reino, na vida da Igreja.
“Associada como Mãe e Ministra ao Rei dos Mártires, na obra inefável da Redenção, quando 0 oferecera no Calvário ao Eterno Pai, fazendo o holocausto de todo o seu direito materno e de seu maternal amor, estaria assim, como escreve Pio XII na Encíclica Mystici Corporis Christi, associada para sempre a Cristo, com um poder, por assim dizer, infinito, na distribuição das graças decorrentes da Redenção”.
A maternidade que Jesus lhe confiara do alta da Cruz, tinha agora, com a Assunção aos céus, o seu complemento e coroação.
Medianeira de todas as graças, Maria começou a ser desde os tempos primitivos invocada pelos fiéis, que reconheciam seu poder de intercessão.
Embora não tenhamos dados para provar que Ela tenha sido objecto de honras nos três primeiros séculos, afirmações inumeráveis se encontram da sua maternidade divina e demais prerrogativas, e da veneração que lhe tinham os fiéis.
As palavras e testemunhos do discípulo a quem Jesus amou com predilecção em sua vida na terra, e que foram louvores tecidos a Maria, como Mãe de Jesus, ouvidas elas pelos fiéis, se espalharam por toda parte como precioso tesouro, e jamais deixaram de se ouvir.
As vozes que se ergueram pela terra, na Ásia, África e na Europa, são unânimes em glorificar a mulher que pelo “fiat” da Anunciação se tornara a Mãe de Deus. Os discípulos de S. João receberam dele estes ensinamentos e os transmitiram íntegros às futuras gerações.
A história nos demonstra a antiguidade do culto de Maria.
Sua devoção foi recomendada pelo próprio Cristo, quando no-la deu por Mãe na pessoa de João. Cresceu esta devoção através dos séculos, especialmente após o Concílio de Éfeso, em 431, quando Nestório foi condenado, e proclamada a Maternidade Divina de Maria.
A raiz desta devoção a encontramos nos primeiros tempos.
Maria Santíssima fôra sempre entre os fiéis motivo de amor e de confiança. Vozes de protestos se levantaram por toda parte, quando Nestório atacou o fundamento de suas prerrogativas, a Maternidade Divina. E Nestório foi condenado.
Os cristãos, solícitos em glorificar os mártires, como nos demonstra a infinidade de testemunhos, jamais descuidariam do culto à sua Rainha e Mãe. O culto a Maria, que se revelou no mundo com tanto esplendor e refulgência a partir do século V, seria impossível, se fosse desconhecido no início da Igreja.
Nos monumentos das Catacumbas e nos escritos dos Santos Padres da Igreja, vamos encontrar as afirmações da sólida devoção a Maria Santíssima nos primeiros séculos de nossa era.

Cónego Paulo Dilascio
“As mais belas Histórias do Cristianismo”

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

MARIA E OS PADRES DE IGREJA

NOSSA SENHORANOS ESCRITOS DE ALGUNS SANTOS PADRES

Os monumentos das Catacumbas não são os únicos que proclamam o culto dos primeiros cristãos a Maria.
A invocação a Nossa Senhora se conclui dos escritos dos Santos Padres, desde os primeiros, preocupados em demonstrar e defender as prerrogativas da Santíssima Virgem.
Em muitas passagens dos Actos dos Apóstolos lemos que os cristãos primitivos pediam aos seus irmãos que intercedessem por eles, porque estes irmãos eram discípulos e amigos de Cristo.
Seria inacreditável que não recorressem à intercessão de Maria, a Mãe de Jesus, para alcançarem as suas graças.
Se muitos testemunhos vamos encontrar da crença e afirmação das prerrogativas de Nossa Senhora, de sua Maternidade Divina, Virgindade, antes, durante e depois do parto, documentos que nos comprovem em escritos o culto de invocação a Maria, confessamos nos ser difícil encontrá-los.
Isto porque nos ficaram pouquíssimas obras anteriores à paz da Igreja, nos princípios do século IV, e em sua maior parte livros de apologética e de controvérsias, nos quais dificilmente encontraríamos de modo explícito o culto a Maria.
A princípio Maria ocupa lugar modesto e pouco se fala dela. Não obstante, as afirmações dogmáticas da Santíssima Virgem se encontram desde os primeiros tempos e na falta de documentos escritos da invocação a Maria, delas deduzimos o grande apreço que os fiéis primitivos tinham para com a Mãe de Deus.
A primeva onda mariológica começa na idade apostólica e chega ao seu auge com a definição da Maternidade Divina no Concílio de Éfeso, no ano 431.
Três são as principais ideias mariológicas na época que precede o citado concílio: A Mãe de Deus, a Virgem intacta, a Nova Eva.
No Oriente, os Santos Padres colocam em relevo a maternidade divina. Para Santo Inácio, bispo de Antioquia, Jesus, o Filho de Deus, foi verdadeiramente gerado, segundo a natureza humana, por Maria (Aos Efésios 7,2).
São Justino Mártir escreve que Jesus, que é Deus, tomou de Maria a natureza humana e nasceu dela como homem.
Santo Irineu propõe a mesma doutrina e a comprova com argumentos da Sagrada Escritura e da Tradição Católica.
A Virgindade de Maria foi também defendida pelos Padres da Igreja. Na carta aos Efésios, Santo Inácio afirma a virgindade antes do parto e faz uma alusão à virgindade no parto. São Justino nos deixou documentos com a mesma afirmação. Santo Irineu já afirma explicitamente a Virgindade antes e no parto, e implicitamente depois do parto.
A virgindade perpétua, antes, durante e depois do parto, será afirmada mais tarde por Orígenes. São Pedro de Alexandria será o primeiro a designar Maria com o nome de “Virgem”. Exaltam a perpétua virgindade Santo Efrém, Santo Epifânio, São João Crisóstomo, São Gregório Taumaturgo e outros.
A ideia de Maria, a Nova Eva, encontra-se já no século II em São Justino: "Cristo fez-se homem por meio da Virgem, afim de que a desobediência provocada pela serpente tivesse fim pela mesma via por onde havia começado".
Santo Irineu desenvolve esta ideia e chama a Maria, a Advogada de Eva".
Também alusões à santidade e realeza de Maria encontramos nos Santos Padres. De modo explícito Santo Efrém fala que Maria é imune de toda mancha de culpa.
São Gregório invoca a Maria e afirma que por sua intercessão recebera a verdadeira doutrina da fé sobre a Santíssima Trindade. Este facto pareceu tão natural que ninguém se admirou, o que prova que o culto deprecatório à Mãe de Deus não era uma novidade na Igreja.
No Ocidente, a Mariologia foi descrita pelos Santos Padres realçando as prerrogativas de Nossa Senhora.
Tertuliano faz da maternidade divina o centro de sua Mariologia. Santo Hipólito Romano é o primeiro a usar o termo "Theotocos", isto é, Mãe de Deus. E a maternidade divina é exaltada por Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Zenon e outros. Em relação à virgindade perpétua, para Santo Hipólito Maria Santíssima é a Virgem por antonomásia.
Santo Ambrósio faz da Virgindade perpétua de Maria o ponto central de sua Mariologia. O mesmo ensinam outros Santos Padres, como Santo Agostinho, e São Jerónimo, que foi o primeiro e o mais forte apologista da virgindade perpétua de Maria.
Entre os ocidentais foi Tertuliano o primeiro a pôr em relevo a ideia de Maria, a Nova Eva. Santo Ambrósio, no notável paralelismo Eva-Maria, afirma que a Virgem concebeu a salvação de todos. Fala depois sobre a maternidade espiritual e universal de Maria, fundamentando-a na doutrina paulina do Corpo Místico de Cristo, que por Maria tornou-se cabeça universal da humanidade. A ideia de Maria, a Nova Eva, encontra-se também em São Zenon, São Jerónimo e Santo Agostinho. Como Santo Ambrósio, fala-nos Santo Agostinho da maternidade espiritual de Maria, a “Mãe dos membros de Cristo, que somos nós”.
A santidade e realeza de Maria são exaltadas especialmente por Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Jerónimo.
Apresentam-na como o modelo das Virgens, imune de qualquer mancha de culpa e sempre "'na luz e nunca nas trevas".
Houve motivos que impedissem um mais notável desenvolvimento da Mariologia em sua primeira fase, isto é, dos tempos apostólicos até o Concílio de Éfeso. Primeiro, as contínuas perseguições no Oriente e no Ocidente; depois, a atenção dos Padres voltada quase exclusivamente para a figura de Cristo, centro da doutrina cristã; em terceiro lugar, os erros cristológicos daqueles tempos. Estes erros destruindo o verdadeiro homem, o verdadeiro Redentor, comprometiam também indirectamente em Maria a qualidade de Mãe, de Virgem e de Nova Eva.
Contra os docetas que negavam a verdadeira humanidade de Cristo, os Padres opuseram a real maternidade de Marfa. Contra os arianos que negavam a divindade de Jesus, opuseram o seu nascimento virginal, prodigioso. Contra o falso conceito de mediador e a multiplicidade de mediadores, opuseram o plano divino no qual o novo Adão, Único Mediador perfeito para reconciliar a Deus com os homens, está associada a nova Eva, em oposição ao primeiro Adão e à primeira Eva que com o pecado afastaram a Deus dos homens.
Embora sem carácter de novidade, o que prova a existência anterior do culto a Maria, sua devoção espalhou-se extraordinariamente, quando o III Concílio Ecuménico, celebrado em Éfeso, em 431, profligando as heresias de Nestório e seus sequazes, definiu a Maternidade Divina de Maria.
No ano seguinte o Papa Sixto III consagrava em Roma a patriarcal basílica de Santa Maria Maior. Igrejas e Santuários se levantaram por todo o mundo em honra da Santíssima Virgem, Mãe de Deus. Na liturgia da Igreja se introduziram as grandiosas festas de Nossa Senhora, Rainha e Senhora do Universo.
Assim se explica a devoção a Marfa Santíssima, cujas raízes se lançaram no início do cristianismo. O que cremos de Maria, o que honramos em Maria, é aquilo mesmo, nem mais nem menos, que nossos antepassados na fé creram e veneraram desde a origem da Igreja: a Maternidade Divina e a Maternidade de graça da Maria, a Mãe de Cristo Jesus e a Medianeira da salvação.


Cónego Paulo Dilascio
“As mais belas Histórias do Cristianismo”

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

CINCO PRIMEIROS SABADOS

Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados
Cinco Primeiros Sábados


I – A DEVOÇÃO DOS PRIMEIROS SÁBADOS


Na Aparição do dia 13 de Julho anunciou Nossa Senhora em Fátima: “Para impedir a guerra virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados”.
Esta última devoção veio pedi-la, aparecendo à Irmã Lúcia a 10-12-1925, em Pontevedra, Espanha. Disse então: “Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfémias e ingratidões. Tu, ao menos, procura consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar”.Nª Senhora mostrou o seu Coração rodeado de espinhos, que significam os nossos pecados. Pediu que fizéssemos actos de desagravo para Lhos tirar, com a devoção reparadora dos cinco Primeiros Sábados. Em recompensa, promete-nos "todas as graças necessárias para a salvação”.
Jesus nos dois anos seguintes, 15 de Fevereiro de 1926 e 17 de Dezembro de 1927, insiste para que se propague esta devoção. Lúcia escreveu: “Da prática da devoção dos Primeiros Sábados, unida à consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra ou a paz do mundo”.


II – CINCO, POR QUÊ?


São cinco os Primeiros Sábados por, segundo revelou Jesus, serem “cinco as espécies de ofensas e blasfémias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria.
1. – As blasfémias contra a Imaculada Conceição, 2. – Contra a sua Virgindade ; 3. – Contra a Maternidade Divina, recusando ao mesmo tempo recebê-la como Mãe dos homens ; 4. – Os que procuram infundir nos corações das crianças a indiferença, o desprezo e até o ódio contra esta Imaculada Mãe ; 5. – Os que A ultrajem directamente nas suas sagradas imagens”.


III – CONDIÇÕES


As condições para ganhar o privilégio dos Primeiros Sábados são quatro:
1. Confissão. Para cada Primeiro Sábado é precisa uma confissão com intenção reparadora. Pode fazer-se em qualquer dia, antes ou depois do Primeiro Sábado, contanto que se receba a Comunhão em estado de graça.
A vidente perguntou: – “Meu Jesus, as (pessoas) que se esquecerem de formar essa intenção (reparadora)? Jesus respondeu – Podem formá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar”.
As outras três condições devem cumprir-se no próprio Primeiro Sábado, a não ser que algum sacerdote, por justos motivos, conceda que se possam fazer no domingo a seguir.
2. A Comunhão Reparadora.
3. O Terço.
4. A meditação, durante 15 minutos, de um só mistério, de vários ou de todos. Também vale uma meditação ou explicação de 3 minutos antes de cada um dos 5 mistérios do terço que se está a rezar.
Em todas estas quatro práticas deve-se ter a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.
A devoção dos 5 Primeiros Sábados foi aprovada pelo Bispo de Leiria a 13-9-1939, em Fátima.


ACTO DE CONSAGRAÇÃO E DESAGRAVO


Virgem Santíssima e Mãe nossa querida, ao mostrardes o vosso Coração cercado de espinhos, símbolo das blasfémias e ingratidões com que os homens ingratos pagam as finezas do vosso amor, pedistes que Vos consolássemos e desagravássemos.
Ao ouvir as vossas amargas queixas, desejamos desagravar o vosso doloroso e Imaculado Coração que a maldade dos homens fere com os duros espinhos dos seus pecados.
Dum modo especial Vos queremos desagravar das injúrias sacrilegamente proferidas contra a vossa Conceição Imaculada e Santa Virgindade. Muitos, Senhora, negam que sejais Mãe de Deus e nem Vos querem aceitar como terna Mãe dos homens. Outros, não Vos podendo ultrajar directamente, descarregam nas vossas sagradas imagens a sua cólera satânica. Nem faltam também aqueles que procuram infundir nos corações das crianças inocentes, indiferença, desprezo e até ódio contra Vós.
Virgem Santíssima, aqui prostrados aos vossos pés, nós Vos mostramos a pena que sentimos por todas estas ofensas e prometemos reparar com os nossos sacrifícios, comunhões e orações tantas ofensas destes vossos filhos ingratos.
Reconhecendo que também nós, nem sempre correspondemos às vossas predilecções, nem Vos honrámos e amámos como Mãe, suplicamos para os nossos pecados misericordioso perdão.
Para todos quantos são vossos filhos e particularmente para nós, que nos consagramos inteiramente ao vosso Coração Imaculado, seja-nos ele o refúgio durante a vida e o caminho que nos conduza até Deus. Assim seja.


Cinco, porquê?


O Padre José Bernardo Gonçalves (1894-1966) propôs em Maio de 1930 à Irmã Lúcia, de quem foi confessor, seis perguntas para as quais pedia esclarecimento.
Eis o que se refere à quarta, com a respectiva resposta dada por escrito:
« Porque hão-de ser ‘5 sábados’ e não 9 ou 7 em honra das dores de Nossa Senhora ?
Ficando na capela com Nosso Senhor parte da noite do dia 29 para 30 deste mês de Maio de 1930, e falando a Nosso Senhor das duas perguntas 4.ª e 5.ª, senti-me de repente possuída intimamente da divina presença; e, se não me engano, foi-me revelado o seguinte :
‘Minha filha, o motivo é simples: são 5 as espécies de ofensas e blasfémias contra o Imaculado Coração de Maria:
1.ª – As blasfémias contra a Imaculada Conceição.
2.ª – Contra a Sua virgindade.
3.ª – Contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;
4.ª – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe ;
5.ª – Os que A ultrajam directamente nas suas sagradas Imagens.
Eis, Minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena reparação; e, em atenção a ela, mover a minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de A ofender».
Primeira ofensa: negação da Imaculada Conceição.
A 8 de Dezembro de 1854, definiu o Papa Pio IX : « Declaramos, pronunciamos e definimos, que a doutrina que sustenta que a bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, foi por graça e privilégio singular de Deus Todo-Poderoso... preservada e imune de toda a mancha do pecado original, foi revelada por Deus e como tal deve ser firme e constantemente acreditada por todos os fiéis ».
Recusam este privilégio várias confissões protestantes, os racionalistas, e implicitamente aqueles que negam o pecado original, pois que a Imaculada Conceição é precisamente a isenção dessa mancha, que em tal hipótese não existiria.
Segunda ofensa: negação da Virgindade perpétua de Maria.
A 6 de Novembro de 1982 disse João Paulo II no Santuário do Pilar em Saragoça, Espanha : « De modo virginal ‘sem intervenção de varão, e por obra do Espírito Santo, Maria deu a natureza humana ao Filho Eterno do Pai. De modo virginal nasceu de Maria um corpo santo. É a fé que...o Papa Paulo IV articulava na forma ternária de Virgem ‘antes do parto, no parto e perpetuamente depois do parto’. É a mesma que ensina Paulo VI: ‘Cremos que Maria é Mãe sempre Virgem do Verbo encarnado ».
Opõem-se a esta verdade os que negam que a Conceição e o parto de Jesus não foram virginais, e que Maria não conservou no parto a sua integridade, assim como aqueles que afirmam que Ela teve mais filhos além de Jesus.
Terceira ofensa: negação da maternidade divina e espiritual de Maria.
Declarou o III Concílio de Constantinopla no ano de 680 : « Nosso Senhor Jesus Cristo – nasceu do Espírito Santo e de Maria Virgem, que é, segundo a humanidade, própria e verdadeiramente Mãe de Deus».
É também Mãe espiritual dos homens, pela sua participação no Mistério da Encarnação e Co-redenção.
Quarta ofensa: ódio para com a Imaculada Mãe de Deus.
A ideologia Marxista-comunista procurou eliminar todos os vestígios de religião, a começar pelas crianças. O Ministério da Educação soviética declarou nesses tempos : « A educação comunista tem como fim principal eliminar todos os vestígios da religião ». Ensinava-se às crianças o racionalismo puro e, além disso, em certa nação, os pequeninos aprendiam « ladaínhas » de injúrias contra a Mãe de Deus.
Quinta ofensa: ultrajes às sagradas imagens.
Chegou-se ao descaramento de destruir e ultrajar as imagens de Nossa Senhora, sobretudo quando expostas em público. Certamente também desgostam a Maria Santíssima aqueles que tiram dos templos as suas imagens ou as reduzem ao mínimo, contrariando o Concílio Vaticano II. « Observem religiosamente aquelas coisas que nos tempos passados foram decretadas acerca do culto das imagens de Cristo, da Bem-aventura Virgem e dos Santos ».
São estas cinco ofensas a Maria que devemos reparar nos cinco primeiros sábados.


Textos P. Fernando Leite, sj