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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

MARIA E OS PADRES DE IGREJA

NOSSA SENHORANOS ESCRITOS DE ALGUNS SANTOS PADRES

Os monumentos das Catacumbas não são os únicos que proclamam o culto dos primeiros cristãos a Maria.
A invocação a Nossa Senhora se conclui dos escritos dos Santos Padres, desde os primeiros, preocupados em demonstrar e defender as prerrogativas da Santíssima Virgem.
Em muitas passagens dos Actos dos Apóstolos lemos que os cristãos primitivos pediam aos seus irmãos que intercedessem por eles, porque estes irmãos eram discípulos e amigos de Cristo.
Seria inacreditável que não recorressem à intercessão de Maria, a Mãe de Jesus, para alcançarem as suas graças.
Se muitos testemunhos vamos encontrar da crença e afirmação das prerrogativas de Nossa Senhora, de sua Maternidade Divina, Virgindade, antes, durante e depois do parto, documentos que nos comprovem em escritos o culto de invocação a Maria, confessamos nos ser difícil encontrá-los.
Isto porque nos ficaram pouquíssimas obras anteriores à paz da Igreja, nos princípios do século IV, e em sua maior parte livros de apologética e de controvérsias, nos quais dificilmente encontraríamos de modo explícito o culto a Maria.
A princípio Maria ocupa lugar modesto e pouco se fala dela. Não obstante, as afirmações dogmáticas da Santíssima Virgem se encontram desde os primeiros tempos e na falta de documentos escritos da invocação a Maria, delas deduzimos o grande apreço que os fiéis primitivos tinham para com a Mãe de Deus.
A primeva onda mariológica começa na idade apostólica e chega ao seu auge com a definição da Maternidade Divina no Concílio de Éfeso, no ano 431.
Três são as principais ideias mariológicas na época que precede o citado concílio: A Mãe de Deus, a Virgem intacta, a Nova Eva.
No Oriente, os Santos Padres colocam em relevo a maternidade divina. Para Santo Inácio, bispo de Antioquia, Jesus, o Filho de Deus, foi verdadeiramente gerado, segundo a natureza humana, por Maria (Aos Efésios 7,2).
São Justino Mártir escreve que Jesus, que é Deus, tomou de Maria a natureza humana e nasceu dela como homem.
Santo Irineu propõe a mesma doutrina e a comprova com argumentos da Sagrada Escritura e da Tradição Católica.
A Virgindade de Maria foi também defendida pelos Padres da Igreja. Na carta aos Efésios, Santo Inácio afirma a virgindade antes do parto e faz uma alusão à virgindade no parto. São Justino nos deixou documentos com a mesma afirmação. Santo Irineu já afirma explicitamente a Virgindade antes e no parto, e implicitamente depois do parto.
A virgindade perpétua, antes, durante e depois do parto, será afirmada mais tarde por Orígenes. São Pedro de Alexandria será o primeiro a designar Maria com o nome de “Virgem”. Exaltam a perpétua virgindade Santo Efrém, Santo Epifânio, São João Crisóstomo, São Gregório Taumaturgo e outros.
A ideia de Maria, a Nova Eva, encontra-se já no século II em São Justino: "Cristo fez-se homem por meio da Virgem, afim de que a desobediência provocada pela serpente tivesse fim pela mesma via por onde havia começado".
Santo Irineu desenvolve esta ideia e chama a Maria, a Advogada de Eva".
Também alusões à santidade e realeza de Maria encontramos nos Santos Padres. De modo explícito Santo Efrém fala que Maria é imune de toda mancha de culpa.
São Gregório invoca a Maria e afirma que por sua intercessão recebera a verdadeira doutrina da fé sobre a Santíssima Trindade. Este facto pareceu tão natural que ninguém se admirou, o que prova que o culto deprecatório à Mãe de Deus não era uma novidade na Igreja.
No Ocidente, a Mariologia foi descrita pelos Santos Padres realçando as prerrogativas de Nossa Senhora.
Tertuliano faz da maternidade divina o centro de sua Mariologia. Santo Hipólito Romano é o primeiro a usar o termo "Theotocos", isto é, Mãe de Deus. E a maternidade divina é exaltada por Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Zenon e outros. Em relação à virgindade perpétua, para Santo Hipólito Maria Santíssima é a Virgem por antonomásia.
Santo Ambrósio faz da Virgindade perpétua de Maria o ponto central de sua Mariologia. O mesmo ensinam outros Santos Padres, como Santo Agostinho, e São Jerónimo, que foi o primeiro e o mais forte apologista da virgindade perpétua de Maria.
Entre os ocidentais foi Tertuliano o primeiro a pôr em relevo a ideia de Maria, a Nova Eva. Santo Ambrósio, no notável paralelismo Eva-Maria, afirma que a Virgem concebeu a salvação de todos. Fala depois sobre a maternidade espiritual e universal de Maria, fundamentando-a na doutrina paulina do Corpo Místico de Cristo, que por Maria tornou-se cabeça universal da humanidade. A ideia de Maria, a Nova Eva, encontra-se também em São Zenon, São Jerónimo e Santo Agostinho. Como Santo Ambrósio, fala-nos Santo Agostinho da maternidade espiritual de Maria, a “Mãe dos membros de Cristo, que somos nós”.
A santidade e realeza de Maria são exaltadas especialmente por Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Jerónimo.
Apresentam-na como o modelo das Virgens, imune de qualquer mancha de culpa e sempre "'na luz e nunca nas trevas".
Houve motivos que impedissem um mais notável desenvolvimento da Mariologia em sua primeira fase, isto é, dos tempos apostólicos até o Concílio de Éfeso. Primeiro, as contínuas perseguições no Oriente e no Ocidente; depois, a atenção dos Padres voltada quase exclusivamente para a figura de Cristo, centro da doutrina cristã; em terceiro lugar, os erros cristológicos daqueles tempos. Estes erros destruindo o verdadeiro homem, o verdadeiro Redentor, comprometiam também indirectamente em Maria a qualidade de Mãe, de Virgem e de Nova Eva.
Contra os docetas que negavam a verdadeira humanidade de Cristo, os Padres opuseram a real maternidade de Marfa. Contra os arianos que negavam a divindade de Jesus, opuseram o seu nascimento virginal, prodigioso. Contra o falso conceito de mediador e a multiplicidade de mediadores, opuseram o plano divino no qual o novo Adão, Único Mediador perfeito para reconciliar a Deus com os homens, está associada a nova Eva, em oposição ao primeiro Adão e à primeira Eva que com o pecado afastaram a Deus dos homens.
Embora sem carácter de novidade, o que prova a existência anterior do culto a Maria, sua devoção espalhou-se extraordinariamente, quando o III Concílio Ecuménico, celebrado em Éfeso, em 431, profligando as heresias de Nestório e seus sequazes, definiu a Maternidade Divina de Maria.
No ano seguinte o Papa Sixto III consagrava em Roma a patriarcal basílica de Santa Maria Maior. Igrejas e Santuários se levantaram por todo o mundo em honra da Santíssima Virgem, Mãe de Deus. Na liturgia da Igreja se introduziram as grandiosas festas de Nossa Senhora, Rainha e Senhora do Universo.
Assim se explica a devoção a Marfa Santíssima, cujas raízes se lançaram no início do cristianismo. O que cremos de Maria, o que honramos em Maria, é aquilo mesmo, nem mais nem menos, que nossos antepassados na fé creram e veneraram desde a origem da Igreja: a Maternidade Divina e a Maternidade de graça da Maria, a Mãe de Cristo Jesus e a Medianeira da salvação.


Cónego Paulo Dilascio
“As mais belas Histórias do Cristianismo”

sábado, 27 de setembro de 2008

VATICANO II E MARIA - V

A Virgem Maria e o Menino Jesus

Esta união da Mãe com o Filho, na obra da redenção, manifesta-se desde o momento em que Jesus Cristo é concebido virginalmente, até à sua morte. Primeiramente, quando Maria se dirigiu pressurosa a visitar Isabel, e esta a proclamou bem-aventurada por ter acreditado na salvação prometida, estremecendo o precursor de alegria no seio de sua mãe (cf. Lc 1,41-45); e depois, no nascimento, quando a Mãe de Deus, cheia de alegria, mostrou aos pastores e aos magos o seu Filho primogénito, que não diminuiu, antes consagrou a sua integridade virginal. E também quando, ao apresentá-lo no templo ao Senhor, ofereceu o resgate dos pobres e ouviu Simeão profetizar que esse Filho havia de ser sinal de contradição e que uma espada atravessaria a alma da Mãe, para que se revelassem os pensamentos de muitos corações (cf. Lc 2,34-35). O Menino Jesus perdido e com tanta dor procurado, encontraram-no Maria e José no templo, ocupado nas coisas de seu Pai; não entenderam a resposta que lhes deu; a Mãe, porém, guardava no seu coração e meditava todas estas coisas (cf. Lc 2,41-51).
A Virgem Maria no ministério público de Jesus
Na vida pública de Jesus, a sua Mãe manifesta-se claramente logo no início, quando nas bodas de Caná da Galiléia, movida de misericórdia, conseguiu com sua intercessão que Jesus, o Messias, desse início aos seus milagres (cf. Jo 2,11). Durante a pregação do seu Filho, recolheu as palavras com que ele, exaltando o reino acima das razões e vínculos da carne e do sangue, proclamou bem-aventurados os que ouvem e observam a palavra de Deus (cf. Mc 3,35 - paralelo Lc 11,27-28), como ela fazia pontualmente (cf. Lc 2,19 e 51). Assim também a Santíssima Virgem avançou no caminho da fé, e conservou fielmente a união com seu Filho até a cruz, junto da qual, por desígnio de Deus, se manteve de pé (cf. Jo 10,25); sofreu profundamente com o seu Unigénito e associou-se de coração maternal ao seu sacrifício, consentindo amorosamente na imolação da vítima que ela havia gerado; finalmente, ouviu estas palavras do próprio Jesus Cristo, ao morrer na cruz, dando-a ao discípulo por Mãe: "Mulher, eis aí o teu filho" (cf. Jo 19, 26-27).

VATICANO II; Lumen gentium, 57-58.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

VATICANO II E MARIA - III

A Virgem Maria e a Igreja

A Virgem Maria, que na anunciação do anjo recebeu o Verbo de Deus no seu coração e no seu corpo, e deu a Vida ao mundo, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Remida de modo mais sublime em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a ele por vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a sublime prerrogativa e dignidade de ser Mãe de Deus Filho, e, portanto, filha predilecta do Pai e sacrário do Espírito Santo; com este dom de graça sem igual, ultrapassa de longe todas as outras criaturas celestes e terrestres. Ao mesmo tempo encontra-se unida na estirpe de Adão com todos os homens que devem ser salvos; mais ainda, é “verdadeiramente mãe dos membros de Cristo... porque com o seu amor colaborou para que na Igreja nascessem os fiéis, que são os membros daquela cabeça”. Por esta razão é também saudada como membro supereminente e absolutamente singular da Igreja, e também como seu protótipo e modelo acabado da mesma, na fé e na caridade; e a Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, honra-a como mãe amantíssima, dedicando-lhe afecto de piedade filial.

A Mãe do Messias no Antigo Testamento

Os livros do Antigo e do Novo Testamento, e a tradição veneranda mostram, dum modo que se vai tornando cada vez mais claro, e colocam, por assim dizer, diante dos nossos olhos a função da Mãe do Salvador na economia da salvação. Os livros do Antigo Testamento descrevem a história da salvação, que vai preparando, a passos lentos, a vinda de Cristo ao mundo. Estes primeiros documentos, tais como são lidos na Igreja e entendidos à luz da ulterior revelação completa, iluminam pouco a pouco, sempre com maior clareza, a figura de uma mulher, a da Mãe do Redentor. Ela aparece, a esta luz, profeticamente esboçada na promessa da vitória sobre a serpente, feita aos nossos primeiros pais já caídos no pecado (cf. Gn 3,15). Do mesmo modo, ela é a Virgem que há de conceber e dar à luz um Filho, cujo nome será Emanuel (cf. Is 7,14; Mq 5,2-3; Mt 1,22-23). Ela sobressai entre os humildes e os pobres do Senhor, que dele esperam confiadamente e vêm a receber a salvação. Enfim, com ela, filha excelsa de Sião, após a longa espera da promessa, atingem os tempos a sua plenitude e inaugura-se nova economia, quando o Filho de Deus assume dela a natureza humana, para, mediante os mistérios da sua carne, libertar o homem do pecado. (VATICANO II; Lumen gentium, 54-55).

terça-feira, 23 de setembro de 2008

VATICANO II E MARIA - II

Intenção do Concílio

« O sagrado Concílio, ao expor a doutrina da Igreja, na qual o divino Redentor opera a salvação, deseja esclarecer cuidadosamente quer a função da Santíssima Virgem no mistério do Verbo encarnado e do corpo místico, quer os deveres dos próprios homens remidos para com a Mãe de Deus, que é Mãe de Cristo e dos homens, em especial dos fiéis. Não é, no entanto, intenção sua propor a doutrina completa sobre Maria ou diminuir questões que a investigação dos teólogos ainda não conseguiu dilucidar plenamente. Mantém-se, portanto, no seu direito as opiniões que são livremente propostas nas escolas católicas acerca daquela que na santa Igreja ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós. » (VATICANO II: Lumen gentium, 54.)

A Santíssima Virgem no mistério de Cristo

Querendo Deus, sumamente benigno e sábio, realizar a redenção do mundo, “quando chegou a plenitude dos tempos, mandou o seu Filho, nascido duma mulher... para que recebêssemos a adopção de filhos” (GI 4,4-5), “o qual, por amor de nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e encarnou pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria”. Este mistério divino da salvação revela-se-nos e continua na Igreja, que o Senhor constituiu como seu corpo, e na qual os fiéis ― unidos a Cristo, sua cabeça, e em comunhão com todos os seus santos ― devem também, e em primeiro lugar, venerar a memória da gloriosa sempre virgem Maria, Mãe de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo. (VATICANO II: Lumen gentium, 52.)

domingo, 21 de setembro de 2008

VATICANO II E MARIA - I

Introdução

O já longínquo concílio do Vaticano II consagrou, na sua Constituição dogmática “Lumen gentium”, uma parte importante à Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.
Esta parte da Constituição mencionada contém, sem dúvida nenhuma, algumas das mais belas páginas jamais escritas sobre Maria. Para que essas mesmas páginas não sejam esquecidas, vamos dá-las aqui, aos poucos ― como se fora um folhetim ― de maneira que cada um dos nossos leitores possa nelas se emprenhar e sentir, após essa leitura, um amor ainda mais forte, mais veemente para com a nossa bendita Mãe e Mãe imaculada de Jesus.
Durante o Concílio do Vaticano II, muitas vozes ― orquestradas certamente pelo principal inimigo de Maria ― se levantaram para dizer que era necessário destronar Maria, porque, segundo essas vozes infames, ela ocupava um lugar de relevo na devoção dos fieis, devoção esta que ― ainda segundo as mesmas vozes ― encobria a adoração devida a Deus.
Insensatos que nos fazem pensar na famosa frase de Cícero: “Oh! Quam stultorum infinitus est numerus; sollatium miserorum est socios habet”. (Ô quão grande é o número dos insensatos; o consolo dos miseráveis é de ter sócios ― ou quem os ouça e siga).
Essas vozes miseráveis nada conseguiram, antes pelo contrário: o divino Espírito Santo mostrou-lhes que nessas matérias de suma importância, Ele sabia onde “soprar”, onde “soprar” forte, de maneira que só a verdade, a única, seja levada ao conhecimento de todos os cristãos e homens de “boa vontade”. Foi isso que aconteceu e, por isso mesmo, agradeçamos ao Senhor por nos ter deixado um tal documento que enaltece Maria, a sempre Virgem, Mãe de Deus e da Igreja de Jesus Cristo.
No fim do documento os Padres conciliares aprovaram e o Papa Paulo VI assinou com eles:

FÓRMULA DA PROMULGAÇÃO

Todas e cada uma das coisas que nesta Constituição dogmática se estabelecem, pareceram bem aos padres do Concílio. E nós ― pelo poder apostólico que nos foi confiado por Cristo ― juntamente com os veneráveis padres, no Espírito Santo as aprovamos, decretamos e estabelecemos, e tudo quanto assim conciliarmente foi estatuído, mandamos que, para glória de Deus, seja promulgado.
– Roma, junto de São Pedro, aos 21 de novembro de 1964.
Eu, Paulo, bispo da Igreja Católica(Seguem-se as assinaturas dos padres conciliares)

sábado, 20 de setembro de 2008

SANTA MARIA MÃE DE DEUS

Tornando-se homem, Cristo renova o homem.

Para venerar na verdade e cultuar com piedade o mistério da festa de hoje, é preciso, irmãos muito amados, não cometer erro algum a respeito da Encarnação do Senhor, nem admitir qualquer opinião indigna de sua divindade: há um perigo semelhante tanto em não reconhecer nele a verdade de nossa natureza, quanto em negar a igualdade de sua glória com a de seu Pai. Assim, quando nos aproximamos do mistério do nascimento de Cristo, no qual ele nasceu da Virgem Mãe, afastemos para bem longe de nós a escuridão dos raciocínios terrenos, e que a fumaça a sabedoria mundana se retire dos nossos olhos iluminados pela fé. Pois divina é a autoridade em que cremos, divina é a doutrina que seguimos.
Quer voltemos nosso ouvido interior para o testemunho da Lei, quer para os oráculos dos profetas ou para a proclamação do Evangelho, é sempre verdadeira a palavra que São João proferiu, cheio do Espírito Santo: No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus (Jo 1, 1). E é igualmente verdade o que acrescenta o mesmo evangelista: O Verbo se fez carne e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto do Pai como Filho único (Jo 1, 14). Em ambas as naturezas o Filho de Deus permanece ele mesmo, assumindo a nossa natureza sem perder a sua própria; tornando-se homem, renova o homem, permanecendo imutável em si mesmo.
A divindade, que ele tem em comum com o Pai, nada perdeu de seu poder supremo, nem a forma de servo violou a forma de Deus, porque a essência soberana e eterna, que se inclinou sobe o género humano para salvá-lo, nos transportou para a sua glória sem deixar de ser o que era. Assim, quando o Filho de Deus ora se reconhece inferior ao Pai, ora se diz igual a ele, indica que verdadeiramente reúne em si as duas naturezas: a inferioridade prova a natureza humana, a igualdade declara a natureza divina.
Por conseguinte, o nascimento do Filho de Deus na carne não lhe tirou nem acrescentou nada, pois a essência imutável não pode nem diminuir nem aumentar. O Verbo se fez carne não significa que a natureza divina se tenha mudado em carne, mas que a carne foi assumida pelo Verbo em unidade de pessoas. O termo “carne” exprime aqui o homem na sua totalidade, ao qual o Filho de Deus se uniu nas entranhas da Virgem fecundada pelo Espírito Santo e nunca destituída de sua virgindade. Essa união foi tão íntima que o que tinha sido gerado da essência do Pai fora do tempo é o mesmo que nasce, no tempo, do seio da Virgem. Não poderíamos ter sido libertos dos laços da morte eterna, caso não se tivesse humilhado na nossa condição aquele que permanecia todo poderoso na sua.


São Leão Magno, papa: Sermões
Sermo 7 in Nativitate Domini, 1-2
(Sources Chrétiennes 22, 136-138)

domingo, 14 de setembro de 2008

VISITAÇÃO I

“Donde me vem esta graça
de que a mãe do meu Senhor venha até mim?”


"Tu és bendita entre as mulheres e o fruto do teu ventre é bendito. Donde me vem esta graça de que a mãe do meu Senhor venha até mim?" Estas palavras: "Donde me vem esta graça?" não são sinal de ignorância como se Isabel, toda cheia do Espírito Santo, não soubesse que a mãe do Senhor tinha vindo até ela de acordo com a vontade de Deus. Eis o sentido das suas palavras: "Que fiz eu de bom? Em que é que as minhas obras são tão importantes que a mãe do Senhor venha ver-me? Serei uma santa? Que perfeição, que fidelidade me mereceram esta graça, a visita da mãe do Senhor?" "Porque ainda a tua voz não tinha aflorado os meus ouvidos e já o meu filho exultava de alegria no meu seio". Ele tinha sentido que o Senhor viera para santificar o seu servo ainda antes do seu nascimento.
Pode acontecer que me chamem louco os que não têm fé por eu ter acreditado nestes mistérios!... Porque o que é considerado loucura por essa gente é para mim ocasião de salvação. Na verdade, se o nascimento do Salvador não tivesse sido celeste e bem-aventurado, se não tivesse tido nada de divino e de superior à natureza humana, nunca a sua doutrina teria atingido toda a terra. Se, no seio de Maria, tivesse havido apenas um homem e não o Filho de Deus, como teria sido possível que nesse tempo, e ainda hoje, fossem curadas todas as espécies de doenças, não só do corpo mas também da alma?... Se reunirmos tudo o que se diz acerca de Jesus, podemos constatar que tudo o que foi escrito a seu respeito é considerado divino e digno de admiração, porque o seu nascimento, a sua educação, o seu poder, a sua Paixão, a sua Ressurreição não são apenas factos que ocorreram naquele tempo: eles agem em nós ainda hoje.


Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo 7ª homilia sobre S. Lucas

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

VIRGINDADE DE MARIA

Como explicar um mistério?

Nem sempre é fácil de argumentar sobre as dificuldades que encontramos na Bíblia Sagrada em geral e mais particularmente nos Livros do Novo Testamento. Uma dessas dificuldades é a virgindade perpétua de Maria Santíssima, depois de ter dado à luz Jesus, nosso Salvador e “Deus connosco”.
O assunto que vamos aqui tratar é portanto delicado, mas nós contamos com a bondade do divino Espírito Santo e o benefício das suas divinas inspirações.
Há quem afirme a quem os queira ouvir que “Maria é uma mulher como as outras” e que, depois de ter dado à luz Jesus Cristo, teve outros filhos.
Chamaremos a isto raciocinar sem reflectir e mesmo, ousaremos afirmar que isso é mesmo falta de conhecimentos bíblicos, e não só...
Vejamos pois o que a este respeito podemos dizer e explicar:
No capítulo 7, versículo 14 do Livro do profeta Isaías, este mesmo profeta, inspirado por Deus, diz: « Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um Filho e o Seu Nome será Emanuel ».
O profeta designa este acontecimento ― a Virgem conceber a dar à luz ― como um extraordinário sinal de Deus: o sinal da vinda do Salvador, Emanuel, Deus connosco. Mais ainda, o sinal da tão esperada e desejada vinda do tempo de Redenção do género humano.
Como não deveria ser assim? Seria porventura algum prodígio, um sinal maravilhoso, uma mulher ter um filho deixando de ser virgem?
Claro que não, responderão, e com razão, visto ser uma evidência.
Devemos pois admitir que o grande sinal ― sinal extraordinário, não duvidemos ― seria uma Virgem conceber e dar à luz, permanecendo virgem. Ora, Maria é a Mãe de Jesus, nosso Salvador. Eis porque Ela é a Virgem anunciada e descrita por Isaías, é a Virgem que concebeu e deu à luz, permanecendo Virgem: “conceberá e dará à luz”.

O que São Mateus explica...

O sentido desta profecia de Isaías é confirmado pelo Evangelho de São Mateus, no capítulo 1, versículo 18 e seguintes:
« Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: “José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados”.
Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco”. »
Por aqui se vê que a profecia de Isaías começava a realizar-se: um grande sinal anunciava a vinda do Salvador: a Virgem conceberá, por obra do Espírito Santo; e, permanecendo Virgem, dará à luz; “e o nome da Virgem era Maria”.

E São Lucas também...

Numa delicada mas não velada descrição, São Lucas nos persuade que Maria conservou a integridade da sua virgindade a quando do nascimento de Jesus. Vamos ler com a devida atenção, no capítulo 2 de seu Evangelho, os versículos 6 e 7:
« E, quando eles ali se encontravam (em Belém), completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria. »
É necessário notarmos aqui que Maria tendo sido exempta, por graça especial de Deus, do pecado original, ficou também exempta das dores do parto que acompanham o nascimento de todos os nossos filhos, eis porque foi Ela mesma que lavou o Menino, o seu filho primogénito e o “envolveu em panos e recostou numa manjedoura”. Se assim não fosse, São Lucas não poderia ter falado assim, se Maria tivesse dado à luz de modo natural, como as outras mães.
Alguém poderá dizer que até agora só conseguimos provar que Maria foi virgem até ao nascimento de Jesus, mas que nada ficou provado ainda, que possa confirmar que Ela continuou a sê-lo após o nascimento do seu Filho primogénito. Nada prova, por enquanto, que Ela não tenha tido outros filhos.

A quando da anunciação

Vejamos o que nos dizem os Evangelhos.
No Evangelho de São Lucas, logo no início, quando o Evangelista nos conta a visita do Anjo Gabriel e nos transmite o diálogo instaurado entre Ele e a Virgem, podemos ler uma objecção feita por Maria ao divino Mensageiro, quando este lhe anunciou que Ela iria ser a Mãe do Messias:
« Como se fará isso, se eu não conheço homem? » (Lc. 1, 34)
Sabemos que já nesta ocasião Maria estava comprometida com José, daí se pode razoavelmente deduzir que Ela tenha feito voto de castidade perpétua, voto este que José terá obviamente aceitado. Senão, o Anjo teria certamente respondido o que nos parece mais judicioso: “Não conheceste varão até agora, mas conhecerás depois”. Que sentido teria a pergunta de Maria, se Ela tivesse intenção de levar uma vida conjugal normal com José?
Não teria nenhum sentido, podemos justamente afirmar.
Podemos também conjecturar que seria conveniente que o Filho Unigénito de Deus fosse também, segundo a carne, o Filho Unigénito de Maria.

Os “irmãos do Senhor”

As dificuldades continuam todavia: a leitura superficial da Sagrada Escritura parece indicar-nos que Maria teve outros filhos, visto que nela se afirma, no Evangelho de São Marcos, por exemplo que Jesus tinha irmãos. Leiamos o trecho:
« Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? » (Mc. 6, 3)
A Bíblia indica pois aqui que Jesus teria quatro irmãos... Mas será mesmo assim ?
A resposta é categoricamente: não. Eis porque razão: no mesmo Livro Sagrado podemos encontrar os nomes do pai e da mãe dos três primeiros: de Tiago, de José, de Judas. E estes nomes não são de maneira nenhuma aqueles de Maria e de José, seu esposo.
Continuemos pois a nossa pesquisa...

São Tiago, o Menor

Comecemos por São Tiago. Na sua Epístola aos Gálatas, capítulo 1 et versículo 19, São Paulo diz: « Dos outros apóstolos não vi mais nenhum, a não ser Tiago, irmão do Senhor. » Sabe-se que este Tiago é Tiago, o Menor, cuja mãe é uma das mulheres chamada, Maria que estavam no Calvário, quando da morte de Jesus, como relata São Marcos capítulo 15, versículo 40: « Encontravam-se também ali algumas mulheres que observavam de longe, entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de José. »
Sabe-se igualmente que o pai de Tiago, o Menor é Alfeu, como no-lo afirma São Mateus, capítulo 10, versículo 3, no Evangelho por ele escrito, quando enumera os discípulos de Jesus: « Tiago, filho de Alfeu ». Pode pois afirmar-se que Tiago, o Menor é filho de uma mulher chamada Maria e de Alfeu, mas de maneira nenhuma de Maria, Mãe de Jesus e de José, o Carpinteiro. Igualmente se pode afirmar categoricamente que este Tiago não é “irmão de Jesus”.

José e Judas, filhos de Alfeu

Outra certeza, José — também nomeado acima — é irmão carnal de Tiago: ambos são filhos de uma das mulheres chamada Maria que estavam no Calvário e também de Alfeu, conforme a citação de São Marcos, dada acima. Logo, José não é irmão carnal de Jesus. Judas é também irmão de Tiago, pois assim começa a sua Epístola: « Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago... » Seu pai é também Alfeu. Por conseguinte, Judas não é “irmão de Jesus”.
Mas, dos quatro citados, um nos falta: Simão.

Simão, quem é ele?

Os textos do Novo Testamento não nos dão qualquer outra informação sobre este Simão, mas é permitido deduzir que os outros três não sendo “irmãos de Jesus”, não há qualquer razão para que este o seja.
Um conceituado historiador do século II, Hegezipo informa que Simão é filho de Cleófas, esposo de Maria, aquela que João no seu Evangelho (19, 25) afirma ser “irmã da Mãe de Jesus”. Logo, Simão é primo de Jesus, e se é primo, não pode ser irmão carnal de Jesus.
Para corroborar o que até aqui afirmámos, podemos dizer que nos Textos Sagrados, não se encontra uma só frase ou indicação que permita deduzir que Maria tivesse tido outros filhos, ao contrário, só Jesus é chamado na Bíblia Sagrada “o Filho de Maria”, com artigo, no texto original, Marcos 6, 3: « Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria? »

Será que Bíblia contém erros?

Não, a Bíblia Sagrada não contem o menor erro. As pessoas é que erram ao interpretar a Bíblia de qualquer maneira. O termo "irmão" (ah, em hebraico, adelphós, em grego) designa na linguagem dos hebreus não somente os filhos do mesmo pai ou da mesma mãe (como Caim e Abel, Esaú e Jacob, S. Tiago Maior e S. João Evangelista), mas também um familiar ou parente próximo, como tios e sobrinhos, pois, o hebraico não possui termos próprios para designar estes parentescos. A Bíblia Sagrada está cheia de exemplos do emprego da palavra “irmão” neste segundo sentido. Assim, por exemplo, vejamos em Génesis, cap.13, vers.8: Aqui, Abraão chama Lot de irmão; no entanto, em Génesis, cap.12, vers.5 e cap.11 vers.28, vemos que Lot é, de facto, sobrinho de Abraão. Outro exemplo: Labão chama irmão a Jacob, está em Génesis, 29, 15; mas Jacob era seu sobrinho, como narra o Génesis, 29, 13. Mas estes exemplos não são os únicos; encontramos outros em Levítico, 10, 4; e Crónicas, 23, 22). Então, estes “irmãos de Jesus”, nada mais são de facto que seus parentes, ou seus primos.
Não terminam aqui as dificuldades que sobre este delicado assunto encontramos nos Livros Santos, pois outra dificuldade nos surge normalmente: No seu Evangelho São Lucas, capítulo 2, versículo 7, atribui a Jesus o titulo de primogénito, o que supõe outros filhos de Maria: « e (Maria) teve o seu filho primogénito ».

Filho primogénito

Pensar que esta expressão significa que Maria teria tido outros filhos depois de Jesus é induzir-se num erro que demonstra uma evidente ignorância bíblica e o desconhecimento do verdadeiro significado de certas expressões hebraicas. Este desconhecimento pode tornar-se um obstáculo a uma verdadeira compreensão dos textos que lemos e que de boa fé, certamente, pensamos ter bem assimilado. Mas os termos bíblicos nem sempre são interpretados com a verdadeira exactidão e são origem de erros, algumas vezes graves.
Vejamos um pouco este problema:
“Primogénito” — por exemplo — é um termo jurídico da Bíblia que tem significação determinada: é o primeiro filho, quer venha outro, quer não. De facto, a Bíblia Sagrada afirma que todo primogénito pertence, de modo especial, ao Senhor. Veja-se, em Êxodo capítulo 34, 19; 13, 12. E ele devia cumprir, logo nos primeiros meses, a lei do resgate, como vem explicado em Números 18, 16. Não se esperava pelo segundo filho para que o primeiro fosse tido e tratado como primogénito a vida toda. Recentemente os arqueólogos descobriram o túmulo de uma judia do século I, nele estava a inscrição: “Aqui jaz Arsinoé, morta ao dar à luz o seu primogénito”. Significativo? Não!

“José não a conheceu até que...”

Uma outra dificuldade aparente encontramo-la no Evangelho de São Mateus, 1, 25, onde está escrito:
« José não a conheceu até que Ela deu à luz. » Poderia pensar-se que esta expressão quer dizer que ele a conheceu depois d’Ela ter dado à luz. Mas pensar assim seria demonstrar uma falta de conhecimento da língua hebraica. Isto confirma o que acima dissemos já: É impossível a pessoa compreender o sentido de um texto antigo, sem que (até que) tenha um certo conhecimento da língua original do texto.
Saber recitar a Bíblia de cor é certamente bom, mas conhecer o significado dos termos ou expressões nela utilizados nos parece talvez mais importante ainda.
Porquê?
É útil saber que os Evangelhos e a maior parte das Cartas e Documentos da época logo após a morte de Jesus, foram escritos em grego e aramaico, o que significa que a interpretação bíblica é praticamente impossível sem o conhecimento dos idiomas: hebraico, aramaico e grego.
Vejamos um exemplo concreto:
A expressão “até que” é um hebraísmo, e significa “sem que”. Significa então que Maria deu à luz sem que José a tivesse conhecido; porquanto Jesus é o Filho de Deus e não de José; e Maria fizera voto de virgindade.
São numerosos os exemplos destes hebraísmos na Bíblia.
Apenas um, para não nos estendermos: “O coração do justo está firme e não temerá até que veja confundidos seus inimigos”. Este é o versículo 8 do Salmo 111. Ora, se não temeu antes, não temerá depois. O sentido da frase é: os inimigos serão confundidos sem que o coração do justo tema. Assim, Mateus quis apenas afirmar que Maria concebeu sem que José a tivesse conhecido.
Para que não restem dúvidas, é possível consultar na Sagrada Escritura outros exemplos, que não citaremos mas apenas indicaremos as referências:
Deuteronómio 7, 24; Sabedoria 10, 14; Salmo 56, 2; Isaías 22, 14; Mateus 5, 18.

Esta verdade que a Igreja Católica defende...

Quando verificamos todos estes trechos e que todos eles provam e confirmam a virgindade perpétua de Nossa Senhora, a nossa Bendita Mãe, parece-nos impossível que nestes tempos em que vivemos existam ainda crentes ― e mesmo católicos ― que neguem uma tal verdade dogmática.
Não podemos pensar que se trate de má fé ― a caridade cristã proscreve o julgamento temerário, por ser uma falta de caridade ― mas simplesmente de uma falta de cultura bíblica e mesmo linguística. No que nos compete aqui frisar e afirmar com força e firmeza é que Maria não foi nem é “uma Mulher como as outras”, mas sim a Mãe de Jesus, a Mãe de Deus e nossa Bendita Mãe igualmente.
Não sejamos, nem uns nem outros, pobres cegos obstinados, porque é bem verdade que não há maior cego do que aquele que não quer ver.
Esta verdade que a Igreja Católica defende desde há séculos, não é uma invenção de sacerdotes “devotos” ou de Papas “místicos”, mas uma verdade que implica a Sabedoria e a Misericórdia divinas cujo Amor não tem de igual que a própria Trindade Santíssima.
Podemos também encontrar vestígios desta verdade nos textos dos Padres da Igreja, sobretudo aqueles que viveram logo após os Apóstolos. Um deles, Santo Irineu de Lyon, discípulo de São Policarpo que foi ele mesmo discípulo de São João Evangelista, afirma na sua obra-prima, “Contra as heresias”: « Quem jamais, em tempo algum, ousou pronunciar o nome de Maria sem lhe juntar o qualificativo de Virgem? » (Adv. Haeres.78, pág.42,706)
Outros Padres e Doutores da Igreja e mesmo Concílios, trataram estas dificuldades e demonstraram que na verdade a nossa Mãe do Céu era Virgem antes do nascimento de Jesus e continuou a sê-lo depois.

Conclusão

Concluindo este humilde trabalho, devemos recordar e frisar, para que não esqueça, que São José não conheceu Maria nem antes nem depois do nascimento do seu “primogénito”; que Jesus é o único que nos Evangelhos é chamado “Filho de Maria”; que Tiago, José, Judas e Simão não são “irmãos do Senhor”, mas simplesmente parentes ou primos.
Um dos nossos amigos, excelente e humilde sacerdote, deu-nos uma outra ideia que prova igualmente esta verdade. Diz ele:
« É o próprio Jesus que nos dá a melhor prova, quando antes de morrer na Cruz se dirige a sua Mãe e lhe diz: “Mulher, eis o teu filho”. Efectivamente, se Jesus tivesse outros “irmãos”, Ele não teria confiado Maria a São João, nem São João a teria “recebido em sua casa”, vistos que os “irmãos” de Jesus a teriam normalmente recolhido eles próprios. »
O nosso maior e sincero desejo, será que estas linhas possam ajudar aqueles que ainda possam ter dúvidas sobre esta parte difícil da Sagrada Escritura, e prestem assim a Maria o culto e a honra que na verdade merece.